FONTE: SINDIPESA
Apesar da pandemia não ter impactado no volume de transportes e movimentações de cargas pesadas e excepcionais em 2020 os fretes e os preços das prestações de serviços mantiveram-se, na grande maioria dos casos, no mesmo patamar apesar da forte elevação de custos. Os fatores são os mais variados e vão desde a elevada preocupação das empresas do setor em uma forte queda de demanda devido à pandemia, o que não houve, reajustes contratuais muito abaixo da elevação dos custos e sem que as contratantes aceitassem adequações no contrato e a manutenção de parcerias nas prestações de serviços pontuais firmados com grande desiquilíbrio econômico-financeiro para a os prestadores dos serviços.
A soma destes fatores resulta em um término do ano com muitas empresas em situação financeira preocupante e, mantidas as atuais situações, em 2021 ficará ainda pior.
Diesel – Os preços do diesel S-500 comum e do S-10 tiveram queda nos primeiros meses de 2020 devido à queda de demanda no mercado internacional em decorrência da pandemia, mas a partir de maio voltou a subir. Entre maio e novembro o aumento médio foi de 17% e a tendência nacional e internacional é de continuidade de elevação no valor do barril de petróleo em dólares americanos.
Pneus – O preço do pneu em 2020 teve um aumento médio de 27% e com ele as recapagens tiveram aumento semelhante.
Aço – O preço do aço no Brasil subiu 40% em 2020 e as siderúrgicas estimam repassar um reajuste de 30% a 40% em 2021. Isto impacta diretamente no preço de caminhões, semirreboques, reboques e peças de reposição que deverão seguir os mesmos aumentos em 2021, assim como ocorreu em 2020.
Salários e Benefícios – Não é novidade que há escassez de mão de obra especializada para o transporte rodoviário de cargas pesadas e excepcionais, assim como guindastes. Para piorar, é crescente o desinteresse de pessoas para adentrarem a estas profissões. A situação leva a incrementos salariais e benefícios não só para manutenção dos profissionais no setor, mas também como ferramenta para aumentar o interesse de novos profissionais em adentrarem no mercado de trabalho para que haja continuidade no futuro próximo.
Peças de reposição e insumos – Muitas peças de reposição não são fabricadas no Brasil e muitos insumos para fabricá-las no Brasil são importados. O dólar é quem dita os preços delas. Em outubro, a moeda americana havia valorizado mais de 40% em relação ao dia 2 de janeiro. Em seguida desvalorizou, mas acumula alta de mais de 31%. A tendência, pelo menos para o primeiro semestre de 2021, é de mais desvalorização do Real frente ao Dólar.
Os preços de peças de reposição, sejam fabricadas no Brasil ou no exterior, ainda sofrerão acréscimos devido à falta de insumos que ocorre devido ao descompasso entre a fabricação e a demanda. Fábricas reduziram suas produções e diminuíram drasticamente a compra de insumos, fatos que culminaram no desabastecimento de peças de reposição. O mesmo ocorreu com os fornecedores de insumos e agora há falta deles no mercado e vai demandar meses, talvez mais que isso, para normalizar o mercado.
A frota nacional, tanto para transporte de carga excepcional como a de guindastes não é jovem a ponto de suportar este exagerado aumento de custo se forem mantidos os atuais preços praticados no mercado.
Sem um real realinhamento de preços que propicie retorno aos investimentos já realizados pelas empresas não há como investir em renovação de equipamentos e haver crescimento do setor e, infelizmente, há grande possibilidade de que empresas que não se protegerem através do necessário realinhamento de preços virem a sucumbir em curto espaço de tempo.