FONTE: Valor Econômico
Sinais de retomada nos setores de construção, plásticos e metalurgia em outubro, em meio à pandemia, impulsionaram a confiança industrial como um todo no mês, que registra o maior patamar em nove anos. É o que divulgou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV) ao anunciar a prévia de outubro do Índice de Confiança da Indústria (ICI), que subiu 4 pontos ante setembro, para 110,7 pontos. Caso confirmado, seria o maior patamar desde abril de 2011, quando o índice atingiu (111,6 pontos).
Também na prévia, o Nível de Utilização de Capacidade Instalada (Nuci) da indústria ficou em 79,9% na prévia de outubro – um patamar que, caso confirmado, será o maior desde os 80,3% de novembro de 2014.
Renata de Mello Franco, economista da fundação, não descartou continuidade de alta no ICI, ainda impulsionada pelos setores de construção, plásticos e metalurgia. “Não significa que estamos em momento de grande expansão”, afirmou. Para ela, o que ocorre, no momento, é que parte da indústria começa a repor o que perdeu durante a pandemia.
A especialista explicou que esses setores, com humor mais favorável, influenciaram as expectativas da indústria de bens intermediários, que representa mais de 50% do total da indústria de transformação.
Das quatro grandes categorias de uso, bens intermediários é a que apresentou a mais expressiva alta de confiança, ante setembro. Sem citar percentuais por ser uma prévia, Renata explicou que a confiança em bens intermediários “subiu na prévia e deve continuar a subir” até o fechamento de coleta de dados do ICI; e que bens de capital subiram pouco. “Bens duráveis e bens não duráveis sinalizaram queda”, acrescentou Renata.
Os dados mostram que a retomada da indústria não opera de forma generalizada, admitiu a pesquisadora. Ela comentou que diferentes pesquisas e balanços apontaram reação nas indústrias de construção e de metalurgia, com grande peso em bens intermediários.
“Notamos bom desempenho [em confiança] em plásticos, e minerais não metálicos. E as empresas siderúrgicas estão ‘performando’ bem”, pontuou ela.
Em contrapartida, a especialista frisou que ainda há sinais preocupantes dentro da indústria, principalmente fora de bens intermediários. “Veículos automotores foi um dos setores que mais sofreram durante a pandemia e acho difícil se recuperar de forma rápida”, notou a técnica, citando o segmento dentro da indústria de bens duráveis.
No entanto, o expressivo peso de bens intermediários dentro da indústria acabou por impulsionar a confiança industrial como um todo, na prévia do ICI de outubro. Na evolução dos subindicadores componentes do indicador, o Índice de Situação Atual (ISA) subiu 5,9 pontos na prévia de outubro, ante setembro, para 113,2 pontos; e o Índice de Expectativas avançou 2,2 pontos, para 108,1 pontos. Do total de 19 segmentos pesquisados pela FGV, 15 já mostram patamar de confiança acima de fevereiro, ou seja, antes da pandemia. E, na passagem de setembro para prévia de outubro, 13 setores sinalizaram alta de confiança, completou a economista da FGV.
Para Renata, é possível que o ICI continue a subir, ou se estabilize em patamar favorável, na faixa de 110 pontos, nos próximos meses.