• 07/06/2019

    Demanda por caminhões cresce após greve e sustenta setor automotivo


    FONTE: DCI        

     

    Os juros baixos e a demanda forte por veículos pesados elevaram em 12,5% as vendas da indústria automotiva entre janeiro e maio de 2019 ante igual período do ano passado. Isso puxou a produção para 1,2 milhão de unidades, alta de 5,3% segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

     

    “O que temos observado é que existe uma tendência por parte das empresas, sobretudo do segmento de transporte, para a composição de frota própria de veículos pesados e semi-pesados, para não dependerem tanto de companhias terceirizadas”, diz o presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes. Além disso, a taxa de juros para o financiamento dos automóveis tem auxiliado as vendas, segundo o executivo.

     

    Conforme dados da Anfavea, no acumulado do ano até maio ante 2018, o crescimento na venda de caminhões foi de 48,5%, puxando o bom desempenho do setor. Só em maio, a produção subiu 51,2% ante o mesmo mês de 2018. “O bom resultado foi influenciado também pela greve dos caminhoneiros no ano passado, além da fraca base de comparação no período anterior”, diz. O dirigente, porém, ressalta que a previsão de crescimento de 11% deve ser revisada devido à queda das exportações.

     

    Segundo Moraes, um dos maiores desafios desse ano está na grave recessão na Argentina. O recrudescimento da crise argentina foi crucial para a retração de 30% nas exportações de veículos ao vizinho, em maio de 2019 em relação a igual período do ano anterior. “Diante da economia deteriorada, tendência ao congelamento de preços, juros altos e o compromisso assumido pelo governo argentino com o Fundo Monetário Internacional (FMI), devemos buscar a exportação também para outros mercados com potencial como por exemplo México e Colômbia”, diz Moraes.

     

    Além disso, ele lembra que o mercado argentino era responsável por 76% das vendas externas de veículos brasileiros. Atualmente, esse percentual caiu para cerca de 59%. De acordo com Moraes, ao passo que a participação argentina nas exportações brasileiras diminui, outros mercados ampliam as compras do Brasil do ano passado para 2019. “A participação do México nas exportações passaram de 7% para 13% no período; e a Colômbia foi de 3% para 9%”, complementou o dirigente, ressaltando que categorias como caminhões e ônibus devem impulsionar o movimento para os próximos anos.

     

    Conforme o relatório divulgado pela Anfavea, a exportação de caminhões caiu 58,3% entre janeiro e maio de 2019 sobre o mesmo período do ano anterior – o equivalente a 7 mil unidades a menos.

     

    Para a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE), Luana Miranda, as vendas externas de veículos brasileiros vem sofrendo quedas nos últimos 13 meses e não deve ter resultados positivos no curto prazo, mesmo com o esforço de diversificação de mercados. “No ano passado, houve greve de caminhoneiros junto com o início da crise na Argentina. Isso faz com que toda a cadeia produtiva se desorganize e tenha impactos negativos no longo prazo”, argumenta a pesquisadora. Questionada sobre resultados do mercado interno, ela diz que a base fraca de comparação dos últimos períodos auxiliou nesse saldo e que esse panorama pode ser considerado positivo. Para a especialista, esse é o primeiro passo para o setor recuperar as perdas acumuladas em vendas nos últimos períodos anuais.

     

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