• 29/08/2018

    Preço do diesel subirá entre R$ 0,12 e R$ 0,17


    FONTE: Reuters           

     

    Devido à recente escalada do dólar, o preço do diesel vai aumentar nas refinarias no próximo sábado, dia 1º de setembro. A alta valerá também para os importadores que aderiram ao programa de subvenção feito pelo governo para encerrar a greve dos caminhoneiros, no primeiro semestre.

     

    O aumento ficaria entre entre R$ 0,12 a R$ 0,17 o litro, segundo estimativa feita por Adriano Pires Rodrigues, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O litro custa hoje R$ 0,2316 nas refinarias. Outro fator é a mudança de cálculo do preço de referência, anunciada nesta terça-feira pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

     

    – (O aumento) terá de ser repassado aos consumidores, não tem jeito – afirmou Pires.

     

    Segundo Leonardo Gadotti, presidente da Plural, associação que reúne as distribuidoras, somente uma redução no câmbio evitaria reajuste maiores nos próximos meses.

     

    – Se continuar a tendência da valorização do dólar, os preços vão aumentar e serão repassados aos consumidores – disse Gadotti.

     

    Quanto à nova fórmula da ANP para efeito da concessão do subsídio, cujo cálculo será aplicado em 31 de agosto, esta levará em conta os custos de movimentação e armazenagem em quatro terminais portuários brasileiros e os custos para entrega do produto nas cinco regiões do país. O preço base do diesel será alterado todo dia 1º de cada mês, até dezembro. A partir de 1º de janeiro, o subsídio de R$ 0,30 será retirado.

     

    Representantes do setor, no entanto, consideraram a fórmula insatisfatória. Segundo Sérgio Araujo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), ela inviabilizaria as importações:

     

    – A resolução da ANP considera alguns custos muito abaixo dos realmente praticados, como de armazenagem e fretes, o que inviabiliza as importações de diesel.

     

    Os preços de venda do diesel nas refinarias e importadores estão congelados desde maio, por causa do acordo feito pelo governo para encerrar a greve dos caminhoneiros, que estabeleceu o subsídio de R$ 0,30 por litro, além do desconto de R$ 0,16 em impostos.

     

    – O R$ 0,30 por litro de subvenção do governo não será suficiente, agora, para cobrir os preços de comercialização. Mas isso poderá mudar se a cotação do dólar cair ao longo do mês – afirmou Pires.

     

    O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, não quis comentar sobre uma possível alta dos preços do diesel a partir do próximo dia 1º. Mas ressaltou que os preços não estão congelados.

     

    – Esse é o modelo da subvenção de R$ 0,30 via Tesouro e R$ 0,16 via impostos. Não houve um congelamento do preço do diesel, o mercado não foi revogado, o que houve foi uma subvenção temporária. O mercado continua funcionando – afirmou Oddone.

     

    A nova fórmula para calcular o preço de referência leva em conta os custos de importação em quatro portos: os de Paranaguá, Santos, Itaqui e Suape. Considera ainda os custos de internação do produto nas regiões Norte, Nordeste e Tocantins, Sul, Centro-Oeste e Sudeste. E, por fim, os preços do frete para essas diferentes regiões.

     

    ANP rebate críticas

     

    Nesta quarta-feira, a ANP rebateu as críticas feitas por importadores de combustíveis de que a fÓrmula fixada pelo órgão regulador para calcular os preços de referência para a subvenção ao óleo diesel inviabilizaria suas importações.

     

    A agênca reguladora diz que não vê qualquer risco de desabastecimento e que “os preços definidos pela fórmula permitem a importação”. A ANP explicou ainda que a fórmula reflete a paridade de importação e os custos de transporte até as diferentes regiões brasileiras. E destaca ainda que a separação das regiões Sudeste e Centro-Oeste “foi decidida para dar maior transparência aos preços nesses locais.”

     

    Na última terça-feira, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) e representantes do setor de combustíveis alertaram que os custos de alguns itens fixados na fórmula, como armazenamento do produto nos portos e fretes, não refletiam os preços reais cobrados pelo mercado, tornando inviável a importação do diesel. A nova formula para calcular o preço de referência das importações de diesel destinada a conceder o ressarcimento da subvenção ao produto entra em vigor a partir do próximo sábado, 1º de setembro.

     

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