• 15/03/2017

    NRs e Trabalho em altura.


    As Normas Brasileiras tratam do assunto “Trabalho em Altura” de forma muito pouco didática e de certo modo confuso, pois são diferentes normas abordando o assunto cada uma detalhando um tópico ou ponto importante.

    As Normas que versam sobre o assunto no Brasil são:

    NR 35 – TRABALHO EM ALTURA

    NR 18 – CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

    NR 34 – CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO E REPARAÇÃO NAVAL

    NR 22 – SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL NA MINERAÇÃO

    NR 29 – SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO PORTUÁRIO

    Legislação no Brasil

    Artigo 19 da Lei nº 8.213 de 24 de julho de 1991

    • § 1º A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador.
    • § 2º Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho.
    • § 3º É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular

    NR35 – Trata o assunto específico de trabalho em altura

     É subdividida nos capítulos

    35.1 – Objetivo e campo de aplicação

    35.2 – Responsabilidades

    35.3 – Capacitação e treinamento

    35.4 – Planejamento, organização e execução.

    35.5 – Equipamento de proteção individual, acessórios e sistema de ancoragem

    35.6 – Emergência e salvamento

    Anexo I – Acesso por cordas

    Quem está procurando informações sobre requisitos básicos para construção de linha de vida, vai encontrar no item 35.5 .4, que estabelece que linha de vida deve:

    1. Ser selecionado por profissional legalmente habilitado
    2. Ter resistência para suportar a carga máxima aplicável
    3. Ser inspecionado quanto sua integridade antes da sua utilização.

    NR 18 – Que aborda o assunto no âmbito da construção Civil.

    Estabelece que:

    18.15.56.1  – As edificações com no mínimo quatro pavimentos ou altura de 12 m (doze metros), a partir do nível do térreo, devem possuir previsão para a instalação de dispositivos destinados à ancoragem de equipamentos de sustentação de andaimes e de cabos de segurança para o uso de proteção individual, a serem utilizados nos serviços de limpeza, manutenção e restauração de fachadas. (Alteração dada pela Portaria SIT 318/2012)

    18.15.56.2 –  Os pontos de ancoragem devem:

    1. a) estar dispostos de modo a atender todo o perímetro da edificação;
    2. b) suportar uma carga pontual de 1.500 Kgf (mil e quinhentos quilogramas-força); suportar uma carga pontual de 1.200 Kgf (mil e duzentos quilogramas-força); (Alteração dada pela Portaria SIT 318/2012)

    18.16.2.1 – Os cabos de aços devem ter carga de ruptura equivalente a, no mínimo, 5 (cinco) vezes a carga máxima de trabalho a que estiverem sujeitos e resistência à tração de seus fios de, no mínimo, 160 kgf/mm² (cento e sessenta quilogramas-força por milímetro quadrado). (Incluído pela Portaria SIT n.º 13, de 9 de julho de 2002)

     

    A NR 34 aborda o mesmo assunto do ponto de vista da construção Naval

    Parece ser uma norma mais abrangente considera por exemplo uso de plataformas como trabalho em altura coisa que a NR35 não trata entre outras coisas.

    Conclusão:

    Agora dá para entender porque existe esta total falta de padronização e de critérios na construção de linhas de vida, algumas verdadeiras aberrações.

    Projeto de linha de vida considerando normas NRs Brasileiras

    AS linhas de vida horizontais deverão ser concebidas, instaladas e usadas sob a supervisão de uma pessoa qualificada, como parte de uma completa sistema anti-queda pessoal projeto deve considerar um fator de segurança de pelo menos 5 (FS=5) para dimensionamento dos cabos de aço pois segundo a NR 18  item 18.16.2.1 – Os cabos de aços devem ter carga de ruptura equivalente a, no mínimo, 5 (cinco) vezes a carga máxima de trabalho a que estiverem sujeitos e resistência à tração de seus fios de, no mínimo, 160 kgf/mm2 (cento e sessenta quilogramas-força por milímetro quadrado). (Incluído pela Portaria SIT n.º 13, de 9 de julho de 2002)

    Observação importante:

    Já vi muita gente interpretando errado esta norma e tomando a seguinte decisão; uma linha de vida dimensionada para 4 pessoas adotou erroneamente o cálculo de um cabo de aço para:

    Considerou.

    1. Peso de uma pessoa 100 kg
    2. Fator de Segurança (FS) = 5

    Então:

    Dimensionamento do aço foi considerado conforme segue:  5 x 100 x 4= 2.000 kgf

    dimensionamento do cabo de aço da linha de vida

    • Primeiro passo é determinar a força de reação horizontal do cabo de aço

    As forças de reação na ancoragem dependem do ângulo que o cabo fará com uma linha imaginaria horizontal, a força horizontal será sempre maior que a força na vertical.

    O Esforço na linha vai depender do Peso do Indivíduo e de sua atura de queda em relação a linha de vida.

    A Energia da queda Energia (mgh), vai ser absorvida pelo cabo de aço, gerando um impacto sobre o mesmo toda a estrutura de sustentação. O Cabo de aço sofre uma deformação elástica. O cinto de segurança também sofre uma deformação elástica e talabarte e o absorvedor de energia do cinto também.

    O pesquisador Sulowski levando em consideração todos estes pontos, apresenta uma solução matemática para estas questões, apresentando uma fórmula determinada de modo experimental para o cálculo da força máxima de impacto, combinando trabalhos de pesquisa teóricos e dados experimentais.

    Ele simula várias quedas e mede com uma célula de carga o impacto de diferentes alturas e define uma equação para a força de impacto da queda cuja equação proposta por Sulowski é:

    Onde:

    F = Força de Impacto em Newtons (N)

    m = massa do trabalhador e roupas + massa das ferramentas + massa dos EPIs (kg)

    K = Modulo da corda (N)

    f = Fator de queda H/L

    H = Altura de queda livre (m)

    L= Comprimento do Talabarte (m)

    a = Fator de redução do trava quedas

    b = Fator de redução do Cinto de Segurança (1)

    s = Fator de redução do absorvedor de queda (80% a 70% redução)

    c = Fator de Conversão corpo ´rígido/ manequim

     

    Cálculo da energia da queda para:

    Queda de um executante pesando 99 quilos, caindo de uma altura de 1,82 metros, utilizando cinto de segurança tipo paraquedista com talabarte de 1,5 metros e absorvedor de energia acoplando a uma linha de vida.

    Utilizando a equação de Sulowski podemos concluir que o individuo foi capturado pela linha de vida com uma força sobre o cabo de aço de 455 kgf

    Ver cálculo no post – Dinâmica da Queda -Impactos sobre o trabalhador e a linha de vida

    Link – http://consultoriaengenharia.com.br/seguranca-ocupacional/dinamica-da-queda-trabalho-em-altura/#more-71405

    Projeto da linha de vida segundo NRs

    Suponhamos que o vão da linha que vamos projetar tenha um comprimento de 10 metros, vamos supor que vamos utilizar um cabo de aço no vão com comprimento em balança de 10,5 metros.

    Lembre quando você está projetando uma linha de vida que tenha limites de zona livre de queda, quanto mais esticada tiver que ser a linha maior será a tensão na ancoragem porque você tem que limitar a distância da queda.

    Então temos:

    C= Comprimento do Vão

    L = comprimento do Cabo

    F = flecha

    Determinando esforços envolvidos, para tal seccionamos a linha no meio, já que as reações e esforços serão iguais em ambos os lados:

     

     

     

     

     

     

     

    Então temos:

    (C/2) ²+ (f) ² = (l/2) ² ……………(1)

    (C/2) x (P/2) = (f) x (Rx) ……….(2)

    Rx = (P x C) / 4f

    R² = (Rx) ² + (P/2) ² ………..(3)

    R² = [(P x C) / 4f] ² + (P/2) ²

     

     

     

     

     

    Em relação ao problema proposto temos:

    Comprimento do Vão

    C= 10 m

    Comprimento do cabo em balanço

    l = 10,1

    Dados que (f)² = (10,1/2)² – (10,0/2)²

    Calculamos a flecha

    f = 0,708 m

    Então:

    R= (455 x 10,1)/(4 x 0.708)

    R = 1.622 Kgf

    A NR 18  item 18.16.2.1 – Estabelece que os cabos de aços devem ter carga de ruptura equivalente a, no mínimo, 5 (cinco) vezes a carga máxima de trabalho a que estiverem sujeitos e resistência à tração de seus fios de, no mínimo, 160 kgf/mm2 (cento e sessenta quilogramas-força por milímetro quadrado).

    Então o cabo de aço deve ter tensão de ruptura maior que 8.113,0 kgf

    Temos que escolher o cabo de aço que atenda estas condições e temos que recalcular o sistema considerando alongamento do cabo pela Carga de Trabalho considerando e energia da queda!

    Convencionalmente os cabos de aço podem ser fabricados em algumas categorias de resistência à tração, a saber:

    Plow Steel – Arames com tensão de ruptura de 1570 N/mm² = 160 kgf/mm²

    Improved Plow Steel – Arames com tensão de ruptura de 1770 N/mm² = 180 kgf/mm²

    Extra Improved Plow Steel – Arames com tensão de ruptura de 1960 n/mm² = 200 kgf/mm²

    Então vamos escolher o cabo de aço que satisfaça as duas condições:

    Ter carga de ruptura acima de 8113 kgf e ser construído com arames classe Plow Steel ou superior;

    Neste caso escolhemos um cabo de aço  com alma de aço – 6×19 Seale com diâmetro de 11,5 mm e carga de ruptura de 9.300 kgf.

    Atenção:

    Temos que recalcular a flecha considerando o alongamento do cabo no momento da queda, isto vai permitir calcular a distância livre de queda.

    Este é um assunto para outro post.

    Atenção este post tem a intenção de informar os profissionais da área de segurança visando reduzir erros no projeto e instalação da linha de vida

    Nenhum profissional não habilitado profissionalmente deve e pode projetar linha de vida.

    A Montagem da linha de vida deve ser feita por profissional habilitado.

    Antes da  liberação formal da linha de vida, deve ser checado rigorosamente se a execução seguiu o que foi estabelecido no projeto.

    Ver Post – Erros que podem ser Fatais na Construção da Linha de Vida – 

    Link http://consultoriaengenharia.com.br/seguranca-ocupacional/erros-que-podem-ser-fatais-na-construção-da-linha-de-vida/#more-71523

    Todos os componentes da linha de vida devem estar projetados considerando a carga de ruptura do cabo, atentem que outras complexidades de projeto precisam ser consideradas, dimensionamento com torção e flexão nos pontos de ancoragem, cisalhamento etc.

    Nosso objetivo é Salvar Vidas

    Para saber mais clique no link abaixo:
    http://consultoriaengenharia.com.br/seguranca-ocupacional/projeto-de-linha-de-vida-segundo-normas-brasileiras/#more-71721

     

    * O autor deste artigo é JUAREZ BARBOSA

    - Engenheiro Mecânico PUC-MG 1979 Graduação Plena
    - Pós Graduação Economia e Finanças pela PUC – Campinas - 2001 / 2002
    - Top Management Total Quality Control, realizado no Japão através da JUSE, em 1993.
    - Qualificação em ensaios não destrutivos, inspeção de poços verticais e guinchos de transporte de minério e pessoal para mina subterrânea, na ANGLOAMERICA Co. 1988.

     

    http://consultoriaengenharia.com.br/seguranca-ocupacional/projeto-de-linha-de-vida-segundo-normas-brasileiras/
    Notícias relacionadas:

    Serviços

    O Sindipesa mantem convênio com a Paulicon consultoria nas questões relacionadas a legislação que afeta o transporte rodoviário de cargas, de trânsito, tributária e trabalhista através do telefone (11) 4173-5366

    

    Sócios Mantenedores